A dor de cabeça crônica diária, muitas vezes chamada de dor de cabeça por uso excessivo de medicamentos (MOH) ou dor de cabeça rebote, afeta uma parcela significativa de pessoas que vivem com enxaquecas e dores de cabeça frequentes. Se você toma medicamentos para alívio da dor com mais frequência, esta é uma questão crucial a ser entendida, porque a dependência frequente de medicamentos pode paradoxalmente piorar sua dor a longo prazo. O problema central é simples: o uso excessivo de medicamentos agudos pode criar um ciclo em que as dores de cabeça se tornam mais persistentes e os tratamentos se tornam menos eficazes.
Compreendendo a dor de cabeça por uso excessivo de medicamentos
A International Headache Society define o MOH como tendo dores de cabeça em 15 ou mais dias por mês, decorrentes do uso excessivo regular de medicação aguda ou sintomática por mais de três meses. O que constitui “uso excessivo” varia de acordo com a droga. Por exemplo, exceder 10 dias por mês com triptanos, opioides ou analgésicos combinados (como aqueles que contêm butalbital) é considerado uso excessivo. Mesmo o uso frequente de AINEs simples (aspirina, ibuprofeno, naproxeno) – 15 ou mais dias por mês – pode desencadear MOH.
O mecanismo subjacente não é sobre o tipo de analgésico; é a frequência. O neurologista Stewart Tepper enfatiza que “realmente não importa se é na frente ou atrás, direita ou esquerda… Não é a qualidade da dor de cabeça; é a quantidade”. Isso é fundamental porque muitas pessoas se concentram na gravidade da dor, e não na frequência com que procuram a medicação.
Reconhecendo o problema: quantos dias de dor de cabeça são demais?
A identificação do MOH requer o monitoramento da frequência da dor de cabeça. Conte todos os dias com qualquer dor de cabeça, não apenas com crises de enxaqueca. Alternativamente, calcule o número de dias completamente livres de dor de cabeça: menos de 15 dias claros por mês indicam risco de dor de cabeça crônica.
Certos medicamentos são particularmente problemáticos. Medicamentos contendo butalbital (Fioricet, Fiorinal) e opioides têm maior probabilidade de piorar a enxaqueca se usados semanalmente. Essas substâncias perturbam os sistemas reguladores da dor no cérebro, tornando os ataques mais frequentes, graves e resistentes ao tratamento.
Além dos analgésicos: outros culpados
O uso excessivo de medicamentos não se limita a medicamentos para dor de cabeça. O uso frequente de descongestionantes de venda livre, pílulas para dormir prescritas e até mesmo cafeína em altas doses pode contribuir para a MOH. Alguns especialistas alertam contra os benzodiazepínicos (medicamentos ansiolíticos) devido à potencial interferência no tratamento. O uso ilícito de estimulantes (anfetaminas) também pode desencadear dor de cabeça crônica diária.
O risco aumenta com o grande número de dias de dor de cabeça. Aqueles com 10 a 14 dias de dor de cabeça por mês têm 20 vezes mais probabilidade de desenvolver dor de cabeça crônica diária do que aqueles com menos de cinco. Isto destaca a importância de reduzir a frequência geral da dor de cabeça, e não apenas de tratar ataques agudos.
Tratamentos mais recentes oferecem esperança
Felizmente, não foi demonstrado que os medicamentos mais recentes para a enxaqueca, particularmente os antagonistas dos receptores CGRP (gepants e anticorpos monoclonais), contribuam para a MOH. Esses tratamentos podem fornecer supressão duradoura do uso excessivo de medicamentos. Gepants orais como atogepant (Qulipta) e rimegepant (Nurtec ODT) podem prevenir dores de cabeça, enquanto ubrogepant (Ubrelvy) e zavegepant (Zavzpret) oferecem alívio agudo sem risco de rebote.
O resultado final
O uso crônico de medicamentos para enxaqueca aguda pode, paradoxalmente, piorar as dores de cabeça ao longo do tempo. Reconhecer o problema, monitorar a frequência e explorar novas opções de tratamento são passos essenciais para o controle da dor a longo prazo. Se você suspeita que está tendo MOH, discuta o uso de medicamentos com seu médico para desenvolver um plano de tratamento sustentável.
















